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Dr. Arthur Vicentini
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CRM: 15.4086

O que é traqueostomia e quais os cuidados após o procedimento?

A traqueostomia é um procedimento muito importante e que pode ajudar a salvar a vida de pacientes que apresentam algum tipo de obstrução das vias aéreas superiores. Consiste em confeccionar um orifício através do pescoço para que o ar tenha um “atalho” para chegar até os pulmões.

A imagem mostra um pescoço com traqueostomo.

As causas para obstruções das vias respiratórias podem ser muitas. Podemos citar como exemplos a ocorrência de malformações, traumas e até tumores da região cervical. Em quadros como esses, pode ser recomendada a realização de uma traqueostomia.

Embora seja um procedimento essencial para muitos pacientes, a traqueostomia exige bastante cuidado. Isso porque, ao criarmos esse “atalho” para o ar, alteramos algumas características normais do processo de respiração, tais como o aquecimento, purificação e umidificação do ar, que ocorrem na cavidade nasal. Essas mudanças aumentam os riscos de infecções respiratórias, entre outros problemas; além do risco de obstrução da cânula, impedindo a passagem do ar.

Neste artigo explicaremos com mais detalhes o que você precisa saber sobre esse assunto. Continue lendo e veja:

1. O que é traqueostomia?
2. Quais são os cuidados após o procedimento?
3. Como é feita a retirada da cânula?

O que é traqueostomia?

A traqueostomia é uma técnica que consiste em fazer uma pequena abertura na traqueia (canal que leva o ar para os pulmões). Através dela, inserimos uma cânula, possibilitando que o paciente respire por ali quando existe algum impedimento para a passagem do ar por meio das vias aéreas superiores.

Esse procedimento é indicado para diferentes casos, como:

  • presença de tumores obstrutivos nas vias aéreas superiores;
  • pacientes que precisam de ventilação mecânica prolongada;
  • malformações das vias respiratórias;
  • obstrução por corpos estranhos;
  • queimaduras graves;
  • traumas que impedem a respiração;
  • alterações das funções de deglutição, com aspiração de saliva e alimentos.

Para realizar a traqueostomia é necessário um procedimento cirúrgico, geralmente realizado com anestesia geral, mas em alguns casos pode ser aplicar apenas anestesia local. De toda forma, é preciso estar em um ambiente hospitalar (geralmente, em um centro cirúrgico) para garantir total suporte ao paciente e evitar complicações.

O Cirurgião de Cabeça e Pescoço faz uma incisão na região anterior do pescoço para ter acesso à traqueia e posicionar ali a cânula. Assim, o paciente consegue respirar por conta própria por meio desse orifício, podendo a cânula ser acoplada aos equipamentos de ventilação mecânica (conhecidos também como “respiradores”).

Quais são os cuidados após o procedimento?

O paciente que acabou de fazer traqueostomia deve ser monitorado logo nas primeiras horas após o procedimento. Isso porque ele pode se sentir ansioso e inseguro pelo receio de ficar sufocado, já que a falta de fluxo de ar pelo nariz e/ou boca podem causar a sensação de que o ar não está fluindo, além de limitar a comunicação pela fala.

Procedimentos auxiliares como aspiração de secreções e limpeza da cânula de traqueostomia são importantes para evitar obstruções da mesma, já que inicialmente a produção de secreção e pequenos sangramentos são comuns.

Essa aspiração é fundamental porque quando há acúmulo de secreções o fluxo de ar fica impedido, dificultando a respiração. Isso também visa reduzir  o risco de infecções que possam vir a se manifestar. Ainda como medida preventiva para processos infecciosos, é indispensável que se mantenham os cuidados com a higiene e esterilização dos equipamentos a serem utilizados pelas equipes de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, etc).

Como existe um atalho para o fluxo de ar, é preciso ter um cuidado redobrado com os lábios, a boca e a faringe. Pode ser necessário fazer, além da aspiração da traqueostomia, limpeza e higienização de orofaringe, cavidade oral e hidratação das mucosas e dos lábios.

Como é feita a retirada da cânula?

Uma das formas de prevenir infecções em pacientes com traqueostomia é fazer a troca da cânula regularmente de acordo com a orientação do Cirurgião de Cabeça e Pescoço. O principal objetivo é manter uma cânula funcionante e evitar a proliferação bacteriana no material que compõe a mesma.

Existem pacientes que precisam manter a traqueostomia durante toda a vida, mas, para outros, esse procedimento é apenas temporário. Assim, quando o indivíduo começa a apresentar sinais de recuperação, passando a respirar melhor ou não há mais obstrução das vias aéreas superiores, apresentando uma boa deglutição e força muscular, é possível dar início ao processo de decanulação.

Para isso, pode ser feita a substituição da cânula por uma de menor diâmetro, permitindo que o estoma comece a se fechar também. Esse processo é realizado periodicamente de acordo com a evolução do paciente e a indicação do Cirurgião de Cabeça e Pescoço, e ele segue até retirar a cânula completamente. Em alguns pacientes, a cânula original pode ser retirada diretamente, sem redução gradual de calibre.

Existem ainda outros cuidados que devem seguir durante a recuperação do paciente com traqueostomia até que seja feita a retirada completa da cânula. Eles envolvem, por exemplo, alimentação adequada, manter a boa oxigenação e ventilação, além de estabelecer um processo de comunicação com aqueles que se encontram conscientes.

O mais importante é seguir todas as recomendações do Cirurgião de Cabeça e Pescoço, seja para pacientes internados ou ambulatoriais. Dessa forma, é garantida a melhor recuperação e conforto para ele enquanto estiver com a traqueostomia.

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Por Dr. Arthur Vicentini
da Costa Luiz.

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer do estado de São Paulo (ICESP).

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Por Dr. Arthur Vicentini
da Costa Luiz.

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

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