Como funciona a cirurgia de laringectomia parcial?

A laringe é um órgão muito importante do corpo humano. Ela faz parte do sistema respiratório e participa do processo da fala. Além de permitir que o ar passe entre a faringe e a traqueia, a caminho dos pulmões, a laringe protege as vias aéreas inferiores da passagem de alimentos, líquido e saliva. Conheça as principais funções da laringe e faringe clicando aqui!

Devido à exposição a toxinas (clique aqui e veja as causas do câncer de laringe), como pelo consumo de tabaco ou outras substâncias nocivas, a laringe pode desenvolver tumores. A depender de diversos critérios técnicos como tamanho, localização, subtipo, idade do paciente, condição clínica e etc., o tratamento deve ser indicado de forma individualizada. Confira as formas de tratamento para o câncer de laringe clicando aqui!

Uma das formas de tratamento é a cirurgia parcial da laringe, assunto que vamos discutir melhor neste artigo.

Continue lendo para entender o que é essa cirurgia, quando esse tipo de tratamento é adotado, o que acontece no pós-operatório, alguns riscos possíveis, entre outras informações relevantes sobre esse tema.

O que é laringectomia parcial?

Como já dissemos, cada caso deve ser avaliado profundamente por um especialista experiente, que tenha à mão os exames adequados e conheça o paciente como um todo.

Os tumores de pequenas proporções que se desenvolvem na laringe e que não causam o comprometimento total desse órgão podem ser tratados por meio da laringectomia parcial. O intuito é remover esse tumor preservando ao máximo as estruturas da laringe e suas funções.

Existem variações da cirurgia de laringectomia parcial, podendo ser técnicas abertas ou endoscópicas. Algumas, talvez as mais comuns, podem ser citadas, mas não são as únicas conhecidas:

  • Cordectomia endoscópica;
  • Laringectomia supraglótica;
  • Laringectomia frontolateral;

Quando os critérios técnicos não são suficientes para se fazer uma cirurgia parcial, a indicação é de realização de laringectomia total, em que se remove toda a laringe e o paciente permanece com uma traqueostomia definitivamente. Não se pode esquecer dos tratamentos não-operatórios com quimio e/ou radioterapia, que têm evoluído ao longo do tempo e precisam ser ponderados de caso para caso.

Como é feita a cirurgia de laringe?

A laringectomia parcial precisa ser realizada em ambiente hospitalar com o paciente sob anestesia geral. Para remover completamente o tumor, também será necessário retirar uma parte da laringe.

Na técnica endoscópica, não se faz cortes no pescoço, sendo possível a remoção do tumor através da boca, com um aparelho que facilita a exposição da laringe, conhecido como laringoscópio de suspensão. Podem ser utilizadas ferramentas como microscópio, LASER e até braços robóticos.

Nos casos de cirurgias abertas, faz-se uma incisão cervical, através da qual se tem acesso à parte externa da laringe e, a depender da localização e técnica escolhidas, a abertura da laringe é realizada para que se tenha acesso ao tumor e se possibilite sua ressecção.

A realização ou não de traqueostomia depende da técnica a ser utilizada, de fatores como sangramentos, função pulmonar e diâmetro de via aérea, além do funcionamento do que restou da laringe. A traqueostomia pode ser provisória ou definitiva.

Pós-operatório

Além de conviver por alguns dias com o traqueostoma, durante o pós-operatório é preciso receber o suporte de um Fonoaudiólogo. Afinal, embora a laringectomia parcial seja menos invasiva, ela pode provocar impactos na fala e deglutição.

Sendo assim, o paciente precisará reaprender os movimentos, ou pelo menos adequá-los, para que consiga engolir bebidas e alimentos, bem como saiba utilizar a sua voz sob as novas condições em que se encontram a laringe e suas estruturas.

Quais são os riscos e complicações da laringectomia parcial?

Qualquer tipo de cirurgia tem seus riscos intrínsecos, sendo sangramentos, infecções, abertura de pontos e dificuldade de cicatrização algumas das mais frequentes.

Como explicamos antes, a laringectomia parcial pode impactar nas funções da laringe e alterar a voz, porém, seus impactos, riscos e complicações são menores em comparação à técnica que remove totalmente a laringe, já que nesse caso a caixa de voz do paciente é retirada por completo.

De toda forma, existem ainda outros riscos envolvidos com esse procedimento, que são os danos para a traqueia e o esôfago, problemas de deglutição ou com a língua. Além disso, há complicações que estão relacionadas com qualquer tipo de cirurgia, sendo hemorragia, infecção, reações alérgicas à anestesia e hematomas.

Também é importante manter os cuidados orientados pelo seu Cirurgião de Cabeça e Pescoço, tais como jejum (com alimentação por sonda), repouso vocal e evitar exercícios nas primeiras semanas, para que o organismo tenha condições de se recuperar do procedimento.

Lembrando que a recuperação do paciente quanto às funções laríngeas depende bastante do acompanhamento com o Fonoaudiólogo e outros profissionais que possam complementar a equipe, como um Nutricionistas, Psicólogos, Fisioterapeutas e etc.

Essa ação multidisciplinar contemplará o paciente sob diferentes aspectos, garantindo que ele tenha uma boa cicatrização dos tecidos, se adapte às novas condições de vida e mantenha-se bem durante o período pós-operatório, garantindo o equilíbrio da saúde de modo geral e a sua recuperação completa.

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Por Dr. Arthur Vicentini
da Costa Luiz.

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer do estado de São Paulo (ICESP).

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Por Dr. Arthur Vicentini
da Costa Luiz.

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

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