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Foto do Dr. Arthur Vicentini.Dr. Arthur Vicentini
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Traqueostomia: quais as indicações e como é feita?

A imagem mostra um pescoço com traqueostomo.

A traqueia é um órgão em formato de tubo que faz parte do sistema respiratório.

Ela faz a ligação da laringe com os brônquios, possibilitando que o ar chegue aos pulmões. Tem cerca de 10 a 12 cm de comprimento, sendo composta por anéis cartilaginosos incompletos (abertos na parte posterior, com uma região membranosa conectando as pontas).

Para que possamos respirar naturalmente é preciso que não haja nenhum tipo de problema ou obstrução da traqueia. Quando ocorrem reduções do calibre das vias aéreas superiores o obstrução completa, pode ser necessária a confecção de uma traqueostomia, procedimento em que se cria um fluxo alternativo do ar entre o ambiente e os pulmões, para que ocorram as trocas gasosas.

Mas em quais casos ela é realmente necessária?

Preparamos este artigo para explicar quais são as indicações da traqueostomia e de que maneira ela é feita.

Indicações da traqueostomia

A traqueostomia consiste na abertura cirúrgica da parede da traqueia, com possibilidade de passagem do ar entre o ambiente e os pulmões sem passar pelas vias aéreas superiores.

Na maioria dos casos, utiliza-se um dispositivo de metal ou de plástico para proteger e manter o orifício aberto, chamado de cânula de traqueostomia.

As principais indicações de traqueostomia são:

  • quando as vias respiratórias estão obstruídas em função de tumores de boca, faringe e laringe;
  • após a realização de cirurgias nas vias aéreas superiores, quando há risco de edema, sangramentos e obstruções;
  • após traumas complexos da região da face e pescoço;
  • em pacientes que permaneceram intubados por muitos dias (intubação prolongada);
  • quando há parada cardíaca ou respiratória, na impossibilidade de intubação otoraqueal;
  • malformações do trato aerodigestivo alto (principalmente na infância, durante a fase de desenvolvimento)
  • em casos de insuficiência respiratória grave.

A traqueostomia pode ser temporária ou definitiva. No primeiro caso, o fator que levou à realização da traqueostomia é reversível, podendo a cânula ser retirada em tempo adequado e o orifício ocluído, até que se feche pela cicatrização dos tecidos.

Nos casos de traqueostomias definitivas, isso ocorre pela necessidade permanente de manter o trajeto do ar pela via alternativa criada, seja pela impossibilidade de tratamento da lesão inicial ou pela irreversibilidade da alteração anatômica criada pela doença/tratamento, como ocorre nas laringectomias totais.

Considerando o momento da traqueostomia, ela pode ser urgente, ou seja, quando em função de obstrução aguda do fluxo aéreo (como eu casos de trauma, tumores de crescimento progressivo e outras causas), com necessidade de reversão rápida da insuficiência respiratória; e pode ser eletiva, quando o paciente já está com a o fluxo respiratório seguro, porém alguma intervenção na via aérea se faz necessária.

Além das classificações como definitiva, temporária, urgente e eletiva, a traqueostomia também pode ser classificada em relação a sua finalidade, sendo:

Traqueostomia imperativa

Quando o procedimento assegura a manutenção das vias aéreas. Realizada em casos de tumor que obstrui a laringe, em quadros de estenose, infecções e edemas na glote.

Traqueostomia de proteção

Aqui a técnica visa complementar procedimentos, que podem ser endoscópicos ou cirúrgicos, mas que oferecem risco de obstruir as vias aéreas ou provocar dificuldade para respirar.

Traqueostomia paliativa

É realizada para promover um conforto respiratório maior para os pacientes, realizada naqueles em fase terminal e que não apresentam possibilidade de tratamento/cura.

Esse procedimento também possibilita fazer a retirada dos tubos que estão inseridos na traqueia, para que a respiração mecânica possa acontecer de uma forma menos invasiva. Traz mais conforto para o paciente e minimiza os riscos de pneumonia associada a ventilação mecânica.

Como a traqueostomia é realizada?

A traqueostomia é realizada por médico capacitado (Cirurgião de Cabeça e Pescoço, Cirurgião Geral, Otorrinolaringologista, Cirurgião Torácico) em ambiente hospitalar com o paciente sob anestesia local ou geral. Existem diversas técnicas para a confecção da traqueostomia, sendo as técnicas aberta e por punção as mais comuns.

Na técnica aberta, é feita uma pequena abertura na pele para expor a traqueia e seus anéis de cartilagem.

O cirurgião faz, então, uma abertura (que pode ser feita em diversos formatos, a depender do caso e da experiência da equipe) para que se comunique a luz da traqueia com o ambiente externo. É por essa abertura que se insere a cânula, que geralmente fica fixa ao pescoço através de um colar cervical ou com pontos.

Depois de realizado o procedimento, o cirurgião pode conectar os aparelhos de respiração na ponta da cânula e o paciente recebe nebulização para manter as vias aéreas úmidas, sem que o ar precise passar pela boca e a garganta, criando uma espécie de “atalho”.

No caso dos pacientes que fazem a traqueostomia temporária, quando ela já não é mais necessária é feito o processo de decanulação. A cânula utilizada é substituída por uma menor e assim são feitas as substituições sucessivas, até que não haja mais necessidade de manter o tubo. Com isso, o corte feito se fecha naturalmente e o ar volta a fluir pelo caminho normal.

Perceba que a traqueostomia ajuda a salvar vidas, mas são necessários diversos cuidados para garantir a saúde do paciente e evitar complicações, afinal ele fica mais suscetível a infecções pulmonares por ter menos proteção. Por isso, é muito importante seguir todas as recomendações do Cirurgião de Cabeça e Pescoço para dar suporte ao paciente traqueostomizado e garantir seu conforto e segurança.

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Por Dr. Arthur Vicentini
da Costa Luiz.

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer do estado de São Paulo (ICESP).

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Por Dr. Arthur Vicentini
da Costa Luiz.

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

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2 Comentários

  1. Edison Osmar Pereira

    Excelente comentario e de fácil entendimento.Parabens doutor.

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    • adminarthur

      Obrigado por acompanhar meu site. Aproveite toda informação e compartilhe com os amigos e familiares.

      Responder

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