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Alterações Psiquiátricas no Hipotireoidismo

Você sabe o que é o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é uma disfunção que ocorre na glândula tireoide, e se caracteriza pela queda da produção dos hormônios T3 e T4. Esta é uma condição de grande importância nas clínicas psiquiátricas.

A prevalência, natureza e curso clínico dos distúrbios comportamentais e psicológicos associados ao hipotireoidismo foram descritos pela primeira vez pela Clinical Society of London, em 1888. Nesta ocasião, foi observado que os distúrbios mentais, entre eles a irritabilidade, o prejuízo cognitivo e a melancolia, ocorriam em quase todos os pacientes com hipotireoidismo.

Na sequência, foi reconhecido que o efeito de um hipotireoidismo prolongado na função cerebral pode ser grave e potencialmente irreversível. Além disso, levando em consideração seu curso insidioso (as queixas, muitas vezes, são pequenas e inespecíficas) é comum observar pacientes buscando primeiro um psiquiatra antes de um diagnóstico de disfunção na tireoide. 

Quer saber mais sobre distúrbios psiquiátricos e como eles se relacionam com outras especialidades? Continue lendo.

 

Hipotireoidismo e mudanças psicológicas

O hipotireoidismo é uma condição comum, com incidência que aumenta conforme a idade, principalmente após os 40 anos. O problema é muito frequente em mulheres, afetando 8 mulheres para cada homem.

Inicialmente, as mudanças psicológicas são pouco específicas. Observam-se distúrbios cognitivos, tais como inabilidade de se concentrar, lentidão mental, dificuldades em cálculo e em compreender questões complexas.

 

Principais sintomas

A memória, em geral, acaba sendo prejudicada logo no início da doença, e podem ocorrer falhas para registrar eventos e esquecimento em tarefas do cotidiano. Em quadros crônicos de hipotireoidismo, a memória de longo prazo também pode ser afetada.

O retardo psicomotor e o cansaço constante são marcantes. Conforme aumenta o grau do hipotireoidismo, a habilidade em realizar tarefas fica reduzida, tomando mais tempo para serem concluídas. O paciente pode desenvolver uma apatia e se tornar menos preocupado com outras pessoas.

A capacidade de aprendizado fica reduzida, bem como a fala tende a ficar mais monótona e repetitiva.

Pode ocorrer alteração na acurácia perceptiva e, com isso, surgirem ilusões e alucinações (principalmente visuais). Há, ainda, predisposição ao desenvolvimento de ideias paranoicas.

O afeto depressivo é frequentemente reportado em associação com o hipotireoidismo, e muitos sintomas são compartilhados entre as duas condições.

 

Diagnóstico e tratamento

Não é incomum o paciente com hipotireoidismo ser diagnosticado após um tempo sintomático considerável. Por conta disso, recomenda-se que todo paciente psiquiátrico, mesmo sem sinais claros de hipotireoidismo, tenha uma avaliação da função da glândula tireoide, especialmente se houver histórico de cirurgia de tireoide (tireoidectomia total ou parcial) ou necessidade prévia de tratamento com levotiroxina. 

Pacientes que fazem uso regular de carbonato de lítio também necessitam de investigação regular, de preferência a cada 6 meses.

Em geral, os sintomas comportamentais respondem bem à reposição do hormônio tireoidiano, embora alguns pacientes necessitem de terapia adicional com antidepressivo ou outras medicações psiquiátricas. 

É importante reconhecer o quadro, e tratar o quanto antes, pois hipotireoidismo de longa data tem maior risco de ocasionar prejuízo permanente em memória e em outras funções cognitivas.

 

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Adaptado Por: Dr. Arthur Vicentini

da Costa Luiz.

(Texto Original por: Dr. Jonathan R. Dionízio)

CRM-SP 154086

Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Atua como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e médico colaborador da da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da FMUSP e do Instituto do Câncer.

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