Neste post, vamos explicar tudo sobre a tireoidectomia, desde o que é, os tipos de tireoidectomia, suas indicações, seus riscos, o pós e o pré-operatório e os cuidados a serem tomados. Confira!
A tireoide é uma glândula endócrina que fica na parte central do pescoço e que produz uma série de hormônios, como T3, T4, T4 livre e outros hormônios que regulam a velocidade do funcionamento do nosso organismo.
A tireoidectomia é o procedimento cirúrgico de retirada da tireoide, podendo ser parcial ou total.
Antigamente, fazia-se um procedimento chamado nodulectomia, em que era retirado unicamente o nódulo da tireoide, somente o carocinho que tinha aparecido, sendo ele maligno ou benigno, porém, hoje em dia já se sabe que não se deve fazer só a retirada dos nódulos, porque isso faz com que haja mais sangramento, já que a gente tem a manipulação de estruturas nobres e isso pode trazer repercussões que não são as mais positivas para os pacientes. Então, quando é proposto fazer uma cirurgia de tireoide, é feito o processo de retirada de metade da tireoide ou dela inteira.
A tireoidectomia total, é um procedimento que é indicado em casos que:
Essas são algumas das indicações de tireoidectomia total. Existem, claro, vários outros critérios, mas cada caso deve ser analisado de forma individual.
Em alguns casos, é possível fazer a tireoidectomia parcial, ela é indicada para pacientes que têm condições muito específicas, como:
Apesar das indicações, é preciso pensar também nos benefícios e nos riscos relacionados aos dois tipos de cirurgia.
Na tireoidectomia, a gente vai mexer em várias estruturas nobres da região do pescoço, como o nervo da voz (nervo laríngeo recorrente ou nervo laríngeo inferior) que passa logo atrás da tireoide; a glândula paratireóide, que são duas de cada lado na região posterior da tireoide e se mexer nas glândulas só de um lado, é um risco muito menor de causar um hipoparatireoidismo ou hipocalcemia; uma série de vasos sanguíneos que são super importantes, que são ramos de vasos importantes; então, a gente tem esses pontos positivos e negativos a respeito de cada uma das cirurgias que tem que ser ponderados.
O pré-operatório da tireoidectomia normalmente é feito de forma clínica, em que é feita toda uma avaliação por um médico especialista e eventualmente até por um clínico geral, um cardiologista e até outros especialistas quando o paciente tem alguma alteração base, e isso faz com que o paciente esteja mais preparado para a cirurgia.
A cirurgia normalmente é feita sob anestesia geral, num hospital de qualidade e com estrutura, que eventualmente tenha uma UTI para quando caso seja preciso mandar o paciente para lá, o que é muito raro, mas, pode ser que por condições clínicas o paciente tenha essa necessidade, então é importante ter essa estrutura.
Normalmente, de preparo específico para a cirurgia, é solicitado que o paciente fique em jejum por normalmente 8 horas (isso depende do protocolo de cada serviço); algumas medicações precisam ser mantidas e outras precisam ser suspensas, por isso a importância da avaliação clínica, para entender o risco e o benefício de manter e tirar algumas medicações; pacientes que usam barba ou alguma outra coisa que impeça a visualização do pescoço, seja um adorno, colar, piercing, pulseira ou brinco, é preciso retirá-los para não ter nenhum risco durante o procedimento.
É recomendado que o paciente chegue ao hospital ou na véspera ou algumas horas antes da cirurgia para poder fazer todo esse preparo e deixar tudo organizado e tranquilo antes de ir para o centro cirúrgico.
É importante que o cirurgia de cabeça e pescoço esteja bem treinado; tenha uma boa formação; tenha experiência; vivência; mantenha uma quantidade de cirurgias durante o mês ou o ano para manter uma habilidade e treinamento; dar muita atenção para as estruturas nobres que estão pelo pescoço.
Normalmente, o pós-operatório não é super complicado, a maioria das pessoas sente algum desconforto, dor e incômodo na região do pescoço principalmente nas primeiras horas e nos primeiros 2/3 dias, mas que com as medicações costuma ser bem controlado. Algumas medicações para dor, pastilhas para garganta e bolsinhas de gelo são recomendadas para que o paciente use, e normalmente os sintomas vão diminuindo rapidamente nos primeiros dias.
Alguns pacientes têm uma sensibilidade um pouco maior a dor, então apresentam um incômodo maior na garganta devido a própria intubação da anestesia geral, referem algum pigarro, um pouco de tosse, às vezes até com um pouquinho de secreção, mas normalmente esses sintomas regridem sozinhos.
O que a gente precisa é que o paciente tome todos os cuidados pós-operatórios nesse período, então, manter um repouso relativo, não é para ficar deitado o dia inteiro na cama, mas também não é para o paciente fazer esforço físico, praticar exercícios, carregar peso ou pegar coisas pesadas no chão, porque isso causa um risco maior de sangramento, hemorragias e de hematomas que eventualmente podem até comprimir as estruturas do pescoço e dificultar a respiração, podendo levar ao óbito.
Outras coisas importantes são manter a higiene local, tomar bastante líquido, ter uma alimentação mais leve e evitar alimentação muito intensa e pesada, além de ficar sempre atento aos sintomas de possíveis complicações.
Além da hemorragia e dos hematomas, pode ocorrer ocorrer complicações como:
Além dos cuidados gerais no pós-operatório, dos cuidados com feridas e com a cicatrização, também é importante ficar atento em relação à reposição hormonal.
A maioria dos pacientes quando fazem cirurgia parciais da tireoide, não precisam tomar hormônios porque aquele lado da tireoide que sobrou vai ser suficiente para produzir a quantidade adequada de hormônio, porém, alguns pacientes precisam sim de reposição hormonal, assim como aqueles que tiram a tireoide por completo com certeza vão precisar de reposição de levotiroxina, e de outros hormônios que a tireoide produzia e que agora não produz mais.
Alguns pacientes referem alterações de peso, algumas alterações de ritmo de vida e etc, mas isso normalmente se equilibra depois de algum tempo, só é preciso manter certinho as quantidades e níveis de hormônio que o paciente tem.
Lembrar que para pacientes que tiveram tumores malignos da tireoide, é importantíssimo manter um acompanhamento.
Nós temos 5 indicações clássica de cirurgia de tireoide:
A indicação estética é relativa, depende muito do que o paciente nos conta, mas normalmente são pessoas mais magras, moças mais jovens que têm uma preocupação maior com a estética e podem ter essa necessidade por conta da percepção externa de que tem algum carocinho ali. Mas no geral, essas são as indicações e as necessidade de se fazer procedimentos relacionados à tireoide.
Sim, normalmente a maioria absoluta das pessoas que fazem a cirurgia de tireoide, depois do período de recuperação e de equilíbrio dos hormônios e etc, levam uma vida completamente normal, sem inferências. Somente em alguns casos é necessário o acompanhamento com o endocrinologista para fazer a reposição hormonal.
Muitas pessoas ficam com a cicatriz bem imperceptível, bem discreta. A gente toma todo um cuidado estético com a manipulação do pescoço, com os pontos que a gente dá, indica alguns cremes no pós-operatório, dá as orientações de proteção solar e tudo para que não se tenha uma impressão estética ruim e que não tenha uma alteração nesse sentido.
Existem algumas técnicas de cirurgia por outros acessos, como através da axila, da mama, pela região cervical posterior e o acesso por dentro da boca. Porém, hoje em dia aqui no Brasil, em 2023, a gente está com esse outros acessos feitos todos em caráter de pesquisa, em caráter experimental. Nenhum desses acessos está autorizado pelos órgãos reguladores.
Então, o acesso normal é com uma pequena incisão no pescoço, que é feita com bastante cuidado, com a preocupação estética para não trazer repercussão também.