Pedras nos rins podem estar relacionadas a alterações nas glândulas paratireoides, localizadas no pescoço. Essas glândulas produzem o PTH, hormônio que participa do controle do cálcio no organismo. Quando há produção excessiva desse hormônio, o aumento do cálcio no sangue e na urina pode favorecer a formação de cálculos renais.
Você sabia que pedras nos rins podem ter relação com uma doença localizada no pescoço? Embora pareçam regiões completamente diferentes do organismo, existe uma conexão entre as glândulas paratireoides, o equilíbrio do cálcio e a formação de cálculos renais.
As paratireoides são pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide e responsáveis pela produção do paratormônio (PTH). Quando seu funcionamento está alterado, a quantidade de cálcio no sangue pode aumentar e favorecer o aparecimento de pedras nos rins.
Vou explicar como essa relação acontece e por que as paratireoides devem ser consideradas na investigação de cálculos renais recorrentes.
Quando pensamos em pedras nos rins, geralmente associamos o problema ao sistema urinário. Afinal, os cálculos se formam nos rins e podem provocar dores intensas, além de precisarem ser eliminados pela urina ou retirados por meio de procedimentos.
Mas você sabia que, em algumas situações, a formação dessas pedras pode estar relacionada a uma doença localizada no pescoço?
Essa relação pode parecer surpreendente, mas existe uma explicação fisiológica que envolve pequenas glândulas chamadas paratireoides e o controle do cálcio no organismo.
Atrás da tireoide, localizada na região central do pescoço, existem geralmente quatro pequenas glândulas chamadas paratireoides.
Apesar da proximidade e da semelhança entre os nomes, as paratireoides desempenham uma função diferente da tireoide.
Elas são responsáveis pela produção de um hormônio chamado paratormônio, também conhecido como PTH.
Esse hormônio participa do controle dos níveis de cálcio no organismo, um mineral essencial para diversas funções do nosso corpo.
Para compreender como uma alteração nessas glândulas pode favorecer a formação de pedras nos rins, primeiro precisamos entender o que acontece com o cálcio que ingerimos diariamente.
Quando consumimos alimentos ricos em cálcio, como leite, queijo e outras fontes desse mineral, parte do cálcio é absorvida pelo intestino durante o processo de digestão.
Depois dessa absorção, ele chega à corrente sanguínea e passa a participar de diferentes processos fisiológicos.
Uma parte do cálcio é direcionada aos ossos, contribuindo para sua mineralização e manutenção.
Outra parte é utilizada em funções importantes, como a contração muscular e a transmissão de impulsos nervosos.
Além disso, uma parcela do cálcio circulante é filtrada pelos rins e eliminada pela urina.
Todo esse processo precisa funcionar de maneira equilibrada. É justamente nesse controle que o paratormônio, produzido pelas paratireoides, desempenha um papel importante.
Quando ocorre uma alteração nas paratireoides que leva à produção excessiva de PTH, a quantidade de cálcio no sangue pode aumentar.
Nessas condições, o organismo pode absorver mais cálcio da alimentação e também retirar parte desse mineral dos ossos.
Essa retirada de cálcio do tecido ósseo pode contribuir para o desenvolvimento de osteoporose.
Ao mesmo tempo, o aumento do cálcio no sangue pode provocar uma elevação da quantidade desse mineral que passa pelos rins durante a filtração sanguínea.
Consequentemente, a concentração de cálcio na urina também pode aumentar.
Quando isso acontece, o cálcio pode se cristalizar, formando pequenos cristais que, progressivamente, podem crescer e dar origem aos cálculos urinários.
Portanto, existe uma relação entre o funcionamento das paratireoides, a quantidade de cálcio no organismo e a formação de pedras nos rins.
Embora o problema se manifeste no sistema urinário, sua origem pode estar relacionada a uma alteração hormonal nas glândulas localizadas no pescoço.
Uma situação que merece atenção é a formação recorrente de pedras nos rins, principalmente quando a causa ainda não foi identificada.
Algumas pessoas apresentam episódios repetidos de cálculos renais, passam por tratamentos, precisam retirar as pedras e continuam enfrentando dores e desconfortos.
Mesmo após avaliações com urologistas ou clínicos gerais, nem sempre conseguem identificar o motivo da recorrência.
Nesses casos, é importante considerar a possibilidade de alterações nas glândulas paratireoides.
Isso não significa que todas as pessoas com pedras nos rins tenham uma doença nessas glândulas, mas essa relação deve ser lembrada durante a investigação, especialmente quando os cálculos aparecem repetidamente.
Como cirurgião de cabeça e pescoço, destaco a importância de avaliar possíveis alterações das paratireoides quando existe suspeita de que o problema esteja relacionado ao controle do cálcio.
Identificar essa relação pode ajudar a compreender a origem dos cálculos e direcionar os cuidados necessários.
Sim. Algumas doenças das paratireoides podem aumentar os níveis de cálcio no sangue e na urina, favorecendo a formação de cálculos renais.
As paratireoides são geralmente quatro pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide, na região central do pescoço.
O PTH é um hormônio produzido pelas paratireoides que participa da regulação do cálcio no organismo, contribuindo para o equilíbrio desse mineral no sangue e nos ossos.
Sim. Quando existe produção excessiva de PTH, o organismo pode retirar mais cálcio dos ossos, contribuindo para a perda de massa óssea e o desenvolvimento de osteoporose.
Quando os cálculos renais são recorrentes e existe suspeita de alterações nas paratireoides, a avaliação com um cirurgião de cabeça e pescoço pode ajudar na investigação e no direcionamento do tratamento.