O resultado indeterminado na punção de tireoide pode gerar dúvidas sobre o risco de malignidade. Entenda o significado das classificações Bethesda III e IV, a importância do ultrassom e como os exames genéticos podem auxiliar na definição dos próximos passos.
A tireoide é uma glândula endócrina localizada na região central do pescoço e pode ser acometida por diferentes doenças. Entre as alterações mais frequentes está o surgimento de nódulos tireoidianos.
A maioria desses nódulos é benigna e não provoca grandes repercussões para o organismo. Entretanto, alguns apresentam características que exigem uma investigação mais detalhada.
Para identificar quais nódulos precisam ser investigados, utilizamos informações obtidas por meio do ultrassom e critérios de classificação, como o TI-RADS.
Dependendo das características encontradas, pode ser indicada uma punção para analisar as células presentes no interior do nódulo.
Após a realização da punção de tireoide, o material coletado é encaminhado para análise microscópica.
O médico patologista observa os tipos de células presentes e suas possíveis alterações. Para padronizar essa avaliação, utilizamos a classificação de Bethesda.
Esse sistema organiza os resultados em seis categorias, de Bethesda I a Bethesda VI, permitindo uma interpretação mais objetiva dos achados.
Entre essas categorias, os resultados Bethesda III e Bethesda IV merecem atenção especial, pois são considerados indeterminados.
Isso significa que as características celulares observadas não permitem estabelecer com certeza se o nódulo é benigno ou maligno.
Diante desse resultado, precisamos considerar outras informações antes de definir a melhor conduta.
Quando recebo um paciente com resultado indeterminado na punção de tireoide, a avaliação não se limita ao laudo.
É importante revisar o ultrassom, analisar o histórico clínico e considerar os critérios utilizados durante a investigação do nódulo.
Essas informações ajudam a compreender melhor o cenário e a determinar quais ferramentas adicionais podem contribuir para a tomada de decisão.
Uma dessas possibilidades é a realização de exames genéticos, incluindo análises de RNA.
São exames mais complexos, que permitem aprofundar a investigação e podem auxiliar tanto o Cirurgião de Cabeça e Pescoço quanto o paciente na escolha do caminho mais adequado.
Existem diferentes exames genéticos utilizados na investigação de nódulos tireoidianos. No entanto, a disponibilidade dessas ferramentas no Brasil ainda é mais restrita quando comparada à de outros países.
Além disso, são exames de custo elevado e, conforme explicado no vídeo, frequentemente não contam com cobertura pelos convênios, o que limita o acesso de muitos pacientes.
Apesar dessas dificuldades, podem fornecer informações importantes para esclarecer resultados indeterminados.
Por exemplo, um nódulo classificado como Bethesda III pode apresentar uma estimativa de aproximadamente 15% de risco de malignidade, conforme o exemplo apresentado.
Com o auxílio dos exames genéticos, essa estimativa pode se tornar mais precisa, aproximando-se de percentuais mais elevados, como 80% ou 90%, ou de valores menores, como 2%, 3% ou 4%, dependendo dos resultados encontrados.
Dessa forma, conseguimos sair de uma faixa intermediária de incerteza e compreender melhor se o nódulo apresenta maior probabilidade de benignidade ou malignidade.
Essas estimativas não são iguais para todos os pacientes e dependem dos achados e do exame utilizado.
A interpretação de uma punção de tireoide indeterminada exige uma análise que considere diferentes informações.
O resultado da classificação de Bethesda, as características do ultrassom, o histórico do paciente e a possibilidade de realizar exames genéticos precisam ser avaliados em conjunto.
Por isso, considero fundamental contar com um Cirurgião de Cabeça e Pescoço com boa formação, experiência e conhecimento atualizado.
Essa avaliação permite discutir os resultados e definir, junto com o paciente, qual o caminho mais adequado para o cuidado da sua saúde.
Significa que a análise das células coletadas não permitiu determinar com certeza se o nódulo é benigno ou maligno. Essa situação ocorre principalmente nas classificações Bethesda III e IV.
Não. Bethesda III é uma classificação indeterminada. No exemplo apresentado, o risco estimado de malignidade é de aproximadamente 15%, mas essa probabilidade pode variar conforme as características do nódulo e outros resultados.
É importante considerar o histórico clínico, revisar as características do ultrassom e analisar o resultado da punção. Em determinadas situações, exames genéticos podem ajudar a esclarecer o risco de malignidade.
Esses exames, incluindo análises de RNA, podem ajudar a refinar a estimativa do risco de malignidade, fornecendo informações adicionais para a definição da conduta.
Conforme explicado no vídeo, muitos desses exames não são cobertos pelos convênios e apresentam custo elevado. A disponibilidade e a cobertura precisam ser verificadas conforme o exame e o plano de saúde.