Dr. Arthur Vicentini

Quando a dosagem de Tireoglobulina é indicada?

Atualizado em: 20/09/2022
Tempo de leitura: 4 minutos
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A dosagem de tireoglobulina é um exame importante para monitorar o funcionamento da tireoide. Ela contribui para identificar alterações causadas por doenças benignas e também serve como marcador importante durante o tratamento do câncer de tireoide, para observar sua evolução ao longo do tempo.

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Quando A Dosagem De Tireoglobulina É Indicada?

Quando alguma coisa está errada em nosso organismo, ocorrem alterações de determinados parâmetros. Percebemos mudanças na contagem de células, nas taxas de hormônios, velocidade do metabolismo, enzimas, proteínas, e outros.

Por isso, a realização de exames que fazem a contagem ou a dosagem desses marcadores contribui de certa forma para diagnosticar uma doença, ou para acompanhar a evolução de um tratamento.

A dosagem de tireoglobulina é um dos controles que se encaixa nesse cenário. Ela contribui de forma significativa para o tratamento do câncer de tireoide. Quer saber mais? Continue lendo para se aprofundar no assunto!

O que é a dosagem de tireoglobulina?

A tireoide produz uma série de hormônios que regulam a velocidade do funcionamento do nosso organismo. Alguns dos principais deles são o T3 e T4. Durante a produção destes hormônios, como subproduto das reações químicas, há produção concomitante de uma proteína chamada tireoglobulina. Como as células dos tumores malignos mais comuns da tireoide (carcinoma papilífero e carcinoma folicular) são muito parecidas com as células nativas da glândula, a tireoglobulina também costuma ser produzida por elas.

A dosagem de tireoglobulina é um tipo de exame de sangue que ajuda a medir a quantidade dessa proteína que está sendo produzida pelo organismo. Dessa forma, após a cirurgia para remoção da glândula tireoide, podemos monitorar a quantidade de tireoglobulina e identificar alterações nos seus níveis evolutivamente.

Como esse exame auxilia no tratamento do câncer de tireoide?

Você viu que a tireoglobulina é produzida pela tireoide e por células tumorais da mesma. Por isso, após o tratamento cirúrgico (com ou sem complementação com iodoterapia), o esperado é que a tireoglobulina esteja baixa, próxima de zero.

No seguimento de tumores bem-diferenciados da tireoide (carcinomas foliculares e papilíferos), a dosagem periódica da tireoglobulina auxilia médico paciente a acompanharem a possibilidade de recidiva de forma dinâmica.

Alguns pacientes, quando das primeiras consultas com o Cirurgião de Cabeça e Pescoço, referem que sempre fizeram exames de tireoide mas nunca haviam identificado nódulos ou tumores. E questionam se não seria possível ter identificado um câncer mais precocemente através destes exames.

O que acontece é que a tireoglobulina também é produzida por células normais de tireoide, portanto, sem exames de imagem (acompanhados de Punção Aspirativa por Agulha Fina - PAAF, quando indicada), ainda não há como prever a existência de risco de malignidade relacionada a esta glândula.

Quando confirmado um caso de câncer de tireoide, o principal tratamento dessa doença é feito por meio da tireoidectomia, uma cirurgia para retirada completa da glândula. Dessa forma, eliminamos também as células tumorais.

Ao remover a tireoide, é esperado que não exista mais a produção de tireoglobulina, já que as células tireoidianas são removidas. É por isso que a dosagem de tireoglobulina contribui com o tratamento do câncer.

Ao realizar o exame, se houver a presença da proteína na corrente sanguínea, pode ser um indicativo de que ainda restam células da tireoide ou então células tumorais, e que elas continuam produzindo a tireoglobulina. Isso vai exigir atenção especial do Cirurgião de Cabeça e Pescoço para prosseguir na investigação complementar e eventual tratamento.

Quando é preciso fazer a dosagem de tireoglobulina?

Pessoas que não manifestam sintomas de problemas tireoidianos não precisam fazer o exame de dosagem de tireoglobulina. No entanto, na presença de sinais de alterações da tireoide esse teste é muito importante para contribuir com o diagnóstico.

Não são todos os tipos de câncer de tireoide que causam o aumento da tireoglobulina, mas isso acontece nos dois mais comuns, que são o carcinoma folicular e o papilífero.

Além disso, a dosagem de tireoglobulina é realizada para acompanhar o sucesso do tratamento do câncer de tireoide. Quando o paciente é diagnosticado com a doença, é feita a dosagem para que o paciente e seu Cirurgião de Cabeça e Pescoço tenham um valor de referência inicial. Então, após a cirurgia são feitos controles periódicos para observar a evolução da doença e de seu tratamento.

Elevações discretas (chamadas de flutuações) são consideradas normais. O que chama a atenção do Cirurgião são aumentos progressivos, com curvas de elevação persistentes, sugerindo eventual recidiva ou metástases do tumor.

Vale ressaltar que a dosagem de tireoglobulina também pode ficar alterada em quadros de doenças benignas da tireoide. Então, o Cirurgião de Cabeça e Pescoço poderá solicitar exames complementares quando houver dúvidas quanto ao diagnóstico ou suspeita de malignidade. 

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A imagem ilustra vários frascos com tireoglobulina

Dr. Arthur Vicentini da Costa Luiz

CRM-SP 154.086
Médico graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência médica em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

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